Não pensemos nisso

Cá estou sentado na minha varandinha uma vez mais. Parece que hoje está mais frio, mas não faz mal porque pelo menos não há mosquitos. Há sim um resquício de um antigo embalar, um balançar amigo que acontece àqueles que passam um dia inteiro num barco.

Pois bem, hoje passei um dia inteiro num barco. Era uma festa gratis, em que a malta ia toda no barco pelo Sydney Harbour fora, com duas pistas de dança e opulentas aparelhagens que ecoavam até Melbourne. Tudo malta jovem, roupas curtas, cabelos estranhos, hipsters, tatuagens e muita, mas muita bazófia.

Foi engraçado, mas nada de especial porque a música era pesada e cansativa. Fez falta um spot onde me pudesse sentar e descontrair. Acho que a melhor coisa foi este perpétuo embalar que agora me acompanha, este sono acordado que relaxa e faz pensar.

Estou agora em semana de exames, o esforço final para esta trabalhosa UTS. Estou farto de lhe dedicar tempo. Estou farto de perder tempo, sobretudo porque é a minha maior riqueza nesta cidade – e já não me sobra muita.

Tenho tentado aproveitar o que me sobra para conhecer outras pessoas, ou para ficar a conhecer melhor outras que até hoje só conhecia superficialmente. Constato sempre que há histórias interessantes de que ainda não sabia, relatos engraçados e viagens exóticas que invejo, planos e aspirações que compartilho sem antes saber.

Tenho dedicado este tempo para conhecer. Para ouvir historias de como alguém foi parar a um campo de minas à noite no meio da Croácia, de como alguém trabalhou seis anos como canalizador, de como alguém está a juntar dinheiro para fugir com o seu respectivo e não voltar mais. Oiço estas histórias que pensava serem dos filmes, da imaginação, mas afinal são verdadeiras, são muito verdadeiras.

Todas elas têm uma coisa em comum – que é que todas elas estão relacionadas com aquilo que cada um mais gosta de fazer. Tenho-me apercebido de como isso é importante, de como isso é a chave para se ter boas histórias, para se criar boas histórias.

Detesto este período em que tenho de perder tempo a estudar coisas de que não gosto e de que nada me servirão. O que vale é que é só uma semaninha e depois estarei oficialmente de férias neste pais, os meus últimos dias. Aí sim, vou passá-los a fazer as coisas de que gosto, e vou certificar-me de que também eu trarei boas memórias e boas histórias para contar.

Por agora não tenho mesmo muito para vos dizer, a não ser que cada vez gosto mais deste sítio e destas pessoas, e que não quero nem por nada sair daqui e se calhar não voltar. Mas por favor não pensemos nisso.

Não pensemos nisso.

Anúncios

5 thoughts on “Não pensemos nisso

  1. Tudo tem o seu tempo e o que é bom tambem acaba :-). O melhor é aproveitar mesmo ao máximo e trazer muitas recordações e, alimentar o sonho de um dia voltar!
    beijos cheios de saudades

  2. Querido sobrinho como eu te compreendo! Tanto mais que isto aqui tb não está nada agradável :(!
    Tudo tem um fim infelizmente, e se calhar é isso mesmo que torna todas estas experiências inesquecíveis! O melhor é para já não pensar muito nisto!
    Bjs

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s